Incidentes com baterias externas estão a aumentar nos voos comerciais e podem levar a situações graves em pleno voo. Autoridades apelam à consciencialização dos passageiros.
Num cenário onde praticamente todos os passageiros transportam dispositivos eletrónicos com baterias de iões de lítio – telemóveis, computadores portáteis, powerbanks ou cigarros eletrónicos – cresce a preocupação entre as autoridades aeronáuticas sobre os riscos associados a estes equipamentos a bordo.
Recentemente, o voo Delta Air Lines 1334, que ligava Atlanta a Fort Lauderdale, nos Estados Unidos da América, foi forçado a desviar-se para Fort Meyers, depois de um powerbank guardado numa mochila começar a libertar fumo e chamas. O incidente levou à evacuação de emergência dos 191 ocupantes do avião. Casos como este, embora pouco frequentes, estão a tornar-se cada vez mais comuns.
De acordo com a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA), os incidentes com baterias de lítio estão a ocorrer até duas vezes por semana em voos ou aeroportos. O maior perigo? O chamado “thermal runaway”, um processo em que a bateria entra em colapso térmico, provocando explosões, chamas intensas e libertação de gases tóxicos.
“Tudo pode começar com um curto-circuito interno que provoca um aquecimento progressivo da célula da bateria, até esta falhar estruturalmente”, explica Robert Ochs, responsável pela área de segurança contra incêndios da FAA. “Nesse ponto, pode expelir eletrólito incandescente, fumo, chamas e gases perigosos.”
Num centro técnico da FAA em Atlantic City, engenheiros demonstraram a uma equipa da cadeia de televisão CNN o impacto de uma bateria a entrar em colapso. Uma simples bateria portátil, colocada no bolso de um assento e aquecida a mais de 300 graus, explodiu em segundos, incendiando os bancos próximos e libertando densas nuvens de fumo.
Ochs explica que os extintores halon, padrão em aviões comerciais, devem ser usados de imediato. No entanto, não são suficientes para extinguir totalmente incêndios causados por baterias de lítio.
“Sabemos pelos testes que a chama pode reacender-se rapidamente. É necessário recorrer a grandes quantidades de água ou líquidos não alcoólicos para arrefecer completamente o dispositivo.”
A FAA proíbe powerbanks em bagagem de porão, precisamente porque são de difícil acesso em caso de incidente. Mesmo assim, 40% dos passageiros admitem colocá-los no porão, contrariando as recomendações.
“Se uma bateria arder no compartimento de carga, é um problema sério. Os passageiros devem levar estes dispositivos consigo na cabina e mantê-los acessíveis”, alerta Ochs. “Se estiverem escondidos no fundo de uma mala no compartimento superior, torna-se praticamente impossível agir a tempo.”
O risco não se limita aos voos nos EUA. Em janeiro, um Airbus A321 da Air Busan, estacionado no Aeroporto de Gimhae (Coreia do Sul), foi destruído pelas chamas. As autoridades acreditam que o incêndio teve origem num powerbank guardado no compartimento superior. O incidente causou 27 feridos, três em estado grave. Desde então, a Coreia do Sul proibiu o uso e armazenamento destes dispositivos nas bagageiras superiores e não permite o seu carregamento durante o voo.
Nos EUA, companhias como a Southwest Airlinnes já adotaram medidas semelhantes: os passageiros só podem usar powerbanks se estes estiverem visíveis e é proibido carregá-los dentro dos compartimentos de bagagem.
Além das regras operacionais, os especialistas chamam a atenção para a qualidade dos dispositivos. Baterias de baixo custo e marcas pouco conhecidas podem não cumprir os mesmos padrões de fabrico, aumentando o risco de falhas.
“Se é demasiado barato em comparação com o mercado, é provável que o fabrico não seja o mais rigoroso”, refere Ochs.
Por fim, os passageiros são aconselhados a alertar imediatamente a tripulação se um dispositivo estiver a aquecer ou se cair numa zona difícil de alcançar, como entre os assentos.
“Não tente mover o assento para o recuperar — pode esmagar a bateria e provocar um incêndio”, avisa.
Num ambiente como o de uma cabina pressurizada a 10 mil metros de altitude, qualquer pequena falha pode ter consequências catastróficas. A prevenção, dizem os especialistas, começa em terra e com cada passageiro.
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