A privatização da TAP não está a ter impacto no dia a dia da companhia, mas há riscos para a transportadora de não estar inserida num grande grupo de aviação.
“A privatização não é um fim em si mesmo”, mas sem ela a TAP corre riscos. O SNPVAC (Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil) juntou no mesmo evento, que está a decorrer esta quarta-feira para debater a privatização da TAP, Carlos Oliveira, presidente não executivo da TAP, e Luís Rodrigues, o CEO.
Ambos sinalizaram a oportunidade da privatização, assumindo Carlos Oliveira, chairman da TAP, que a privatização não pode nem está a ter “qualquer impacto na operação diária”, assumindo que se está a tentar “assegurar que temos enfoque em melhorar a operação, desenvolver o que melhor sabemos fazer, que é transportar passageiros, vivendo num ambiente de um aeroporto constrangido”.
Para o chairman, a privatização da TAP não é um fim em si mesmo, mas é uma etapa de “transição” para uma nova fase da companhia. A privatização está a decorrer e o conselho de administração, assumiu, sente-se “bastante confortável” com a decisão de vender que é do acionista, Estado. A administração “tem acompanhado o processo e intervém quando é chamada”.
Ambos os gestores juntaram a voz na defesa do modelo de privatização e salientam o facto de terem aparecido dos grandes grupos industriais. Na corrida estão Air France-KLM e Lufthansa. A IAG acabou por não avançar na nova fase de privatização.
“É também sinal deste reforço de resiliência termos hoje dois maiores grupos interessados na companhia”, realçou Carlos Oliveira, salientando “o esforço feito pelos trabalhadores e administradores” que permitem hoje que “a TAP tenha como interessados conjunto de entidade que são referência neste setor e aportar valor para o desenvolvimento companhia”
Luís Rodrigues, presidente executivo (CEO) da TAP, salientou, na mesma conferência, considerar, na sua perspetiva pessoal (não institucional, frisou), que há um risco “de não estarmos num grupo grande”, é uma questão de “prudência” e de “oportunidade”. Desde 2022 que a TAP está a “recuperar pessoas, tecnologia, processo, é uma empresa que estava depauperada”, admitiu.
Mas entrar num grande grupo além de diminuir o risco futuro — que vai trazer crises — também permite a oportunidade de acompanhar o aumento da capacidade aeroportuária com o novo aeroporto de Lisboa.
Para Carlos Oliveira, a TAP “não está”, no entanto, “à espera do que vai ser o futuro” e tem em cima da mesa um plano estratégico a 10 anos, ate 2035. “Estamos a executar. Este plano a 10 anos permite-nos ter uma perspetiva clara de qual o caminho que temos de percorrer, temos muita clareza sobre o hub de Lisboa, e na liderança na ligação entre a Europa e o Brasil e na ligação Atlântica, à América do Norte, África e Brasil. A ligação Atlântica não tem substituto, é uma vantagem estratégica da TAP, que assenta no hub de Lisboa e na aposta da operação a partir do Porto na ligação intercontinental”.
O chairman da TAP e o CEO, na casa de um sindicato, realçaram as relações entre empresa e trabalhadores. “Estamos todos no mesmo avião. Quando há turbulência todos a sentimos. Não haverá futuro construído contra as pessoas. O futuro tem de ser feito com o futuro promissor para trabalhadores e construindo realidades de futuro em contínuo. O diálogo é o único instrumento que funciona. A empresa tem conseguido fazer esse diálogo para tentar criar pontes para garantir que tem futuro promissor”.
Luís Rodrigues contou que lhe foi perguntado porque ia a uma conferência de um sindicato. Explicou: “O mundo mudou, a TAP mudou, os sindicatos e as empresas não estão de lados opostos na mesa. Estamos todos no mesmo avião. Se correr bem, corre bem para todos; se correr mal, corre mal para todos”.
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