Mês: Maio 2026
Privatização é essencial para TAP manter competitividade com novo aeroporto de Lisboa, defende CEO
O CEO da companhia aérea considera que TAP necessitará de aumentar de forma significativa a operação quando existir um novo aeroporto em Lisboa. O que exige um parceiro com músculo.
CEO da TAP, Luís Rodrigues, afirma que a TAP precisa de crescer de forma significativa a sua operação para conseguir defender a sua quota de mercado quando entrar em operação o novo aeroporto de Lisboa. O que implica ter um parceiro que dê maior músculo à empresa, que virá através da privatização.
“Daqui a oito anos vamos ter uma nova infraestrutura. A infraestrutura atual está completamente condicionada, e isso dá-nos uma vantagem significativa dada a posição dominante da TAP”, afirmou o presidente executivo da companhia aérea durante uma conferência sobre o processo de privatização, organizada esta quarta-feira pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).
Para Luís Rodrigues, para manter a vantagem competitiva, a transportadora portuguesa precisa de “juntar à operação 10 ou 20 aviões” à atual frota de 99 aeronaves. O que não será possível se não for uma “companhia frágil”. Se isso não acontecer, haverá “uma perda de capacidade competitiva quando novo aeroporto for construído”.
O CEO da companhia aérea diz que é necessário “ter um parceiro com capacidade para aumentar a capacidade e permitir manter a quota de mercado que [tem] no aeroporto de Lisboa”. Algo que, para o gestor, é essencial para garantir a sustentabilidade financeira da empresa.
Antes de Luís Rodrigues, falou no mesmo evento o presidente do conselho de administração, Carlos Oliveira, que assinalou a importância do interesse da Luftansa e Air France-KLM no processo de venda de 49,9% da TAP, dos quais 5% prioritariamente aos trabalhadores.
“São entidades que são referência no setor e poderão aportar valor para o desenvolvimento futuro da companhia”, salientou o chairman. Carlos Oliveira destacou o esforço dos trabalhadores na recuperação da empresa nos últimos anos, considerando que foi esse esforço que permite ter “dois dos maiores grupos de aviação interessados na companhia”.
Privatização não tem "qualquer impacto na operação diária" da TAP, mas "risco de não estarmos num grupo é grande"
A privatização da TAP não está a ter impacto no dia a dia da companhia, mas há riscos para a transportadora de não estar inserida num grande grupo de aviação.
“A privatização não é um fim em si mesmo”, mas sem ela a TAP corre riscos. O SNPVAC (Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil) juntou no mesmo evento, que está a decorrer esta quarta-feira para debater a privatização da TAP, Carlos Oliveira, presidente não executivo da TAP, e Luís Rodrigues, o CEO.
Ambos sinalizaram a oportunidade da privatização, assumindo Carlos Oliveira, chairman da TAP, que a privatização não pode nem está a ter “qualquer impacto na operação diária”, assumindo que se está a tentar “assegurar que temos enfoque em melhorar a operação, desenvolver o que melhor sabemos fazer, que é transportar passageiros, vivendo num ambiente de um aeroporto constrangido”.
Para o chairman, a privatização da TAP não é um fim em si mesmo, mas é uma etapa de “transição” para uma nova fase da companhia. A privatização está a decorrer e o conselho de administração, assumiu, sente-se “bastante confortável” com a decisão de vender que é do acionista, Estado. A administração “tem acompanhado o processo e intervém quando é chamada”.
Ambos os gestores juntaram a voz na defesa do modelo de privatização e salientam o facto de terem aparecido dos grandes grupos industriais. Na corrida estão Air France-KLM e Lufthansa. A IAG acabou por não avançar na nova fase de privatização.
“É também sinal deste reforço de resiliência termos hoje dois maiores grupos interessados na companhia”, realçou Carlos Oliveira, salientando “o esforço feito pelos trabalhadores e administradores” que permitem hoje que “a TAP tenha como interessados conjunto de entidade que são referência neste setor e aportar valor para o desenvolvimento companhia”
Luís Rodrigues, presidente executivo (CEO) da TAP, salientou, na mesma conferência, considerar, na sua perspetiva pessoal (não institucional, frisou), que há um risco “de não estarmos num grupo grande”, é uma questão de “prudência” e de “oportunidade”. Desde 2022 que a TAP está a “recuperar pessoas, tecnologia, processo, é uma empresa que estava depauperada”, admitiu.
Mas entrar num grande grupo além de diminuir o risco futuro — que vai trazer crises — também permite a oportunidade de acompanhar o aumento da capacidade aeroportuária com o novo aeroporto de Lisboa.
Para Carlos Oliveira, a TAP “não está”, no entanto, “à espera do que vai ser o futuro” e tem em cima da mesa um plano estratégico a 10 anos, ate 2035. “Estamos a executar. Este plano a 10 anos permite-nos ter uma perspetiva clara de qual o caminho que temos de percorrer, temos muita clareza sobre o hub de Lisboa, e na liderança na ligação entre a Europa e o Brasil e na ligação Atlântica, à América do Norte, África e Brasil. A ligação Atlântica não tem substituto, é uma vantagem estratégica da TAP, que assenta no hub de Lisboa e na aposta da operação a partir do Porto na ligação intercontinental”.
O chairman da TAP e o CEO, na casa de um sindicato, realçaram as relações entre empresa e trabalhadores. “Estamos todos no mesmo avião. Quando há turbulência todos a sentimos. Não haverá futuro construído contra as pessoas. O futuro tem de ser feito com o futuro promissor para trabalhadores e construindo realidades de futuro em contínuo. O diálogo é o único instrumento que funciona. A empresa tem conseguido fazer esse diálogo para tentar criar pontes para garantir que tem futuro promissor”.
Luís Rodrigues contou que lhe foi perguntado porque ia a uma conferência de um sindicato. Explicou: “O mundo mudou, a TAP mudou, os sindicatos e as empresas não estão de lados opostos na mesa. Estamos todos no mesmo avião. Se correr bem, corre bem para todos; se correr mal, corre mal para todos”.
Investidor português promete 500 milhões para ficar com Azores Airlines
ALM Investment Holding de António Moreira avança com proposta de 17 milhões de euros por 85% do capital da companhia aérea, prometendo forte investimento após reestruturação da dívida.
O novo processo para a alienação de pelo menos 51% da Azores Airlines, através de venda direta, em vez de concurso público, abriu o apetite de potenciais investidores, logo após o anúncio, em meados de março. Entre eles consta a ALM Investment Holding, sediada no Reino Unido, que é detida por um único acionista, António Moreira.
egundo o Jornal de Negócios (acesso pago), a proposta que o empresário português apresentou às autoridades relevantes foi de 17 milhões de euros por 85% do capital da companhia aérea — à semelhança do valor que tinha sido posto em cima da mesa pelo consórcio Atlantic Connect Group no concurso público –, mas incluindo um compromisso para investir até 500 milhões de euros após haver uma reestruturação da dívida.
ntónio Moreira admite, no entanto, a possibilidade de “reavaliar” a sua oferta depois de conhecer o caderno de encargos e atendendo à crise em que mergulhou a aviação nos últimos dois meses, devido à subida dos preços do jet fuel, desencadeada pelo conflito no Médio Oriente que, aliás, também está “a atrasar os financiamentos”.
O presidente do conselho de administração do Grupo SATA, Tiago Santos, adiantou esta semana que novo processo de venda da Azores Airlines está prestes a arrancar, tendo já “seis a oito interessados”. Entre eles a islandesa Icelandair e a Binter, companhia aérea das Canárias que assegura as obrigações de serviço público entre o Funchal e Porto Santo.
Privatização da Azores Airlines já tem “seis a oito interessados”
Líder do grupo SATA diz que no leque de interessados está a islandesa Icelandair e a Binter, companhia aérea das Canárias que assegura as obrigações de serviço público entre o Funchal e Porto Santo.
O novo processo de venda da Azores Airlines está prestes a arrancar, tendo já “seis a oito interessados”, segundo revela o presidente do conselho de administração do Grupo SATA, Tiago Santos, em declarações reproduzidas pelo Jornal de Negócios
Depois de ter falhado o processo de privatização com o Atlantic Connect Group, que juntava os empresários Tiago Raiano e Carlos Tavares, a companhia, que faz as ligações aéreas para fora da Região Autónoma dos Açores, já está a atrair várias manifestações de interesse, ainda que informalmente. Desta vez, a venda vai ser feita por via direta, estando o caderno de encargos pronto para ser entregue ao Governo Regional na próxima semana.
iago Santos adianta que no leque de interessados está a islandesa Icelandair e também a Binter, companhia aérea das Canárias que assegura as obrigações de serviço público entre o Funchal e Porto Santo desde 2018. O gestor garante ainda que o caderno de encargos da Azores vai ser claro sobre dívida, balanço e trabalhadores.
